Síndrome do ninho vazio: como lidar com o intercâmbio dos filhos

Síndrome do ninho vazio: como lidar com o intercâmbio dos filhos

Confrontar a maturidade emocional dos filhos e o fato de que num futuro próximo eles sairão de casa para trilhar seu caminho rumo à fase adulta é tarefa árdua para a maioria dos pais.

Embora conscientemente saibamos que o ciclo natural da vida resulta na independência dos filhos, quando eles decidem deixar o lar a dor da separação é inevitável. Porém, não saber lidar com ela pode acarretar a chamada “síndrome do ninho vazio”.

Cada vez mais cedo os jovens estão deixando o seio familiar, às vezes para bem longe. E isso pode acontecer ainda na adolescência, quando eles decidem, por exemplo, estudar fora do país em programas de intercâmbio ainda no Ensino Médio.

Como resultado, uma sensação de solidão pode se instalar e, se não for superada, torna-se um transtorno grave e prejudicial. Caso você se sinta apreensivo de que a síndrome do ninho vazio possa acometer você nesse momento de transição, fique conosco e saiba como agir para encarar a separação dos filhos com naturalidade!

O que é a síndrome do ninho vazio?

Quando os filhos crescem e deixam suas casas acontece um rearranjo das relações familiares e uma reorganização dos papéis dentro de casa. Isso significa que aqueles cuidados com os filhos deixarão de existir, como preparar as refeições e cuidar das roupas.

E quando há independência financeira, o poder de decisão sobre as atividades da prole é reduzido, ou simplesmente deixa de existir. Além disso, se a saída for definitiva, é bem provável que o espaço físico da residência também se modifique e a rotina de tarefas dos pais seja alterada.

Quando essa ruptura não é bem compreendida do ponto de vista psicológico, uma série de sentimentos de tristeza e desânimo pode acometer os genitores, e então surge a síndrome do ninho vazio.

O psicanalista Dr. Geraldo Caldeira mencionou em entrevista que isso acontece porque os “seres humanos necessitam de complementação e quem nos dá isso são os nossos filhos, que naturalmente nos preenchem”.

O transtorno acomete principalmente nas mulheres, em razão do elo maternal que se estabelece desde a infância. Quando eles saem do lar, essa ligação maternal é rompida. Dr. Caldeira ainda explica que “essa necessidade de executar a ‘função mãe’, que fica muito carregada, gera a síndrome do ninho vazio”.

Em outras palavras, em vez de sentirem alegria pelo dever cumprido com a boa educação dos filhos, ao vê-los partir (ainda que possa ser provisoriamente, no caso de um estudante que vai fazer um intercâmbio), sentem um grande vazio existencial.

É importante ressaltar que a personalidade dos pais também influencia na maneira de se encarar a partida dos filhos. Quando a partida é por um motivo positivo, como estudo, casamento ou oportunidades profissionais, essa ruptura tende a ser menos dolorosa. Naturalmente, se a razão foi negativa, como brigas ou mesmo um falecimento, a dor ganha intensidade e fica mais difícil de ser aliviada.

Quais são os sintomas mais comuns?

A síndrome do ninho vazio apresenta-se por meio de alguns sintomas. Eles podem surgir de forma moderada ou severa. Em muitos casos, eles desaparecem naturalmente após algum tempo.

Casos mais graves, que beiram a depressão, precisam ser solucionados com ajuda especializada. Os sintomas mais comuns são:

  • conflitos entre o casal (no caso de os pais morarem juntos);

  • desmotivação por não saber o que fazer com o tempo livre;

  • distúrbios alimentares e do sono;

  • diminuição da libido;

  • doenças recorrentes (gripe, alergias);

  • falta de cuidados pessoais (higiene, aparência, saúde);

  • isolamento e depressão;

  • sentimentos de abandono e melancolia.

Como enfrentar a síndrome?

“Quem está sofrendo com a síndrome do ninho vazio precisa tomar providências para lidar com isso; tem que buscar preenchimentos”, afirma Dr. Caldeira. Uma das formas ideais de superar essa fase é transformá-la em um momento de alegria.

Portanto, é necessário ressignificar sua vida após a saída dos filhos de casa, encontrando novos objetivos e projetos que tirem o foco do filho ausente. Se ele está assumindo outra fase em sua vida, estudando em outro país e preparando-se para ter um futuro profissional de sucesso, isso é algo do que se orgulhar.

Para ajudar você a driblar a síndrome do ninho vazio, elencamos 6 dicas. Confira a seguir.

Encerre o ciclo

Compreenda que o seu esforço para proporcionar uma educação de qualidade e com amor ao seu filho começou a ser recompensado. Estudar fora do país é o primeiro de muitos frutos que toda a família está colhendo, depois de tantos anos de investimento e dedicação. Por isso, procure superar a sensação de vazio e ver como essa mudança está sendo favorável.

É compreensível que isso seja mais fácil na teoria do que na prática. Então, não tente resolver tudo individualmente. Fale sobre o assunto, compartilhe sua saudade e exponha tudo o que estiver sentindo. Dessa forma, você paulatinamente vai trabalhar esses sentimentos e dar vazão a eles.

Veja o lado positivo da nova rotina

Primeiramente, seu filho está apenas viajando. Ele voltará algum dia. Além disso, com todas as tecnologias disponíveis, é muito mais fácil ter notícias e “senti-lo” próximo de você.

Com isso, comece a dar espaço para si e ver o lado positivo dessa nova configuração da sua casa. Por exemplo, já que a agenda de atividades com seu filho não está mais em suas mãos, você pode se dedicar mais a você, aproveitando melhor o tempo sem as ocupações que a presença de seu filho lhe impunham.

Busque atividades prazerosas

Se você sente que esse tempo ocioso precisa ser ocupado, não hesite em buscar atividades que lhe deem prazer. Isso pode ser um curso, uma atividade física, uma ação solidária, uma viagem ou mesmo momentos de lazer a dois.

Amplie seu círculo social

Como consequência de buscar atividades prazerosas está a ampliação do círculo social. Quando temos filhos, é natural que algumas amizades acabem ficando mais distantes em razão de nossa dedicação ao lar.

Se você tinha um grupo sólido de amigos, procure resgatá-lo. Encontros com colegas da escola ou da faculdade podem ser benéficos para que você sinta motivação de realizar atividades diferentes.

Além disso, você pode começar a frequentar locais que lhe permitam estar com gente nova. Isso é ótimo para resgatar o ânimo e lidar com a saudade do seu filho.

Cuide da aparência e da saúde

Motive-se a cuidar do seu corpo e da sua mente. As atividades físicas, por exemplo, têm efeito antidepressivo e contribuem para melhoria do ânimo e da autoestima. Além disso, invista em sua aparência, vista-se bem, cuide dos cabelos, da pele e das unhas. Por fim, mantenha uma alimentação saudável e regrada.

Busque companheirismo no relacionamento

Embora a síndrome do ninho vazio possa gerar conflitos no relacionamento, uma vez que o compromisso que o casal tinha com a criação dos filhos foi encerrado, agora é hora de olhar para dentro da sua relação. Vocês construíram uma vida juntos e devem resgatar esse companheirismo que será essencial para se manterem unidos e felizes daqui em diante.

Afinal, embora programas de intercâmbio sejam temporários, é possível que oportunidades de trabalho surjam no novo país; e até mesmo relacionamentos podem levar seu filho a fixar residência por lá.

O mais importante para vencer a síndrome do ninho vazio é conscientizar-se de que ela surgiu e que você não deseja estar com ela. Por esse motivo, entender que os filhos “criam asas” e ganham o mundo é um passo essencial para que essa fase aconteça de maneira natural.

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