reduzir uso do celular pelas crianças

Como reduzir o uso de celular pelas crianças?

Com rotinas cada vez mais corridas, mães e pais se desdobram para dar conta de trabalho, afazeres domésticos, administração da alimentação familiar e, ainda, dos cuidados com os pequenos. No contexto de distanciamento social causado pela pandemia da Covid-19, o desafio é ainda maior, já que as crianças estão em casa 24 horas por dia e os pais, muitas vezes, trabalhando no modelo home office.

Diante de tudo isso, celulares e outras telas surgem como grandes aliados. Afinal, são uma das distrações preferidas dos pequenos. Além disso, existem muitos desenhos e jogos pedagógicos disponíveis na internet que podem ser interessantes para o desenvolvimento infantil. Porém, é importante saber dosar a exposição ao digital, já que expor as crianças às telas em excesso pode fazer mais mal do que bem.

Por isso, preparamos este post com dicas sobre como reduzir o uso do celular pelas crianças. Continue a leitura e veja como você pode manter as telas de forma saudável, sem que isso traga impactos negativos para seu filho!

Qual é a importância de reduzir o uso do celular pelas crianças?

Na infância e na adolescência, há um intenso desenvolvimento cerebral e mental, sendo que a interação socioafetiva é decisiva para esses processos. As telas acabam privando os pequenos de momentos compartilhados, além de levarem a um estilo de vida com pouca atividade física e baixo estímulo à criatividade.

Esses são alguns dos motivos pelos quais a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) orienta a redução do uso do celular pelas crianças, de forma a evitar a chamada intoxicação digital. Veja alguns dos principais argumentos presentes no documento #Menos telas, #Mais saúde.

Problemas de saúde mental

Segundo o material da SBP, o acesso a conteúdos impróprios e as gratificações, como pontos e likes recebidos em jogos ou aplicativos, interfere diretamente nos mecanismos de recompensa do cérebro e em funções cognitivas, como a inibição e o controle de impulsos, ainda em formação.

Quando em excesso, esses estímulos levam a um estresse contínuo, que afetam a produção hormonal, com maior liberação de cortisol e desequilíbrio na produção de dopamina. Entre as consequências, estão:

  • perda de empatia;
  • irritabilidade e agressividade;
  • falta de disciplina;
  • ansiedade e depressão;
  • transtornos de aprendizado.

Impactos na saúde física

Outro problema é a exposição frequente ao brilho das telas, que emitem uma luz azul que contribui para o bloqueio da liberação de melatonina. Com isso, problemas de sono são bastante comuns, o que pode levar ainda ao risco aumentado de sintomas do transtorno de déficit de atenção e hiperatividade.

Além disso, o uso constante de celulares e outras telas promove a redução do movimento, fazendo com que os pequenos pratiquem menos atividades físicas do que é o ideal para essa fase de desenvolvimento. O sedentarismo também contribui para o ganho de peso e transtornos musculares e posturais.

Exposição a riscos sociais

O uso de telas de forma excessiva também pode expor os pequenos a riscos sociais. De acordo com a pesquisa TIC Kids Online Brasil, realizada pelo Centro De Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic), os principais riscos relacionados ao uso de celular relatados pelos entrevistados são:

  • 26% — discriminação ou cyberbullying;
  • 16% — conteúdos sexuais;
  • 16% — formas de machucar a si mesmo;
  • 14% — formas de cometer suicídio;
  • 11% — experiências com uso de drogas.

Como promover essa redução do uso do celular?

Como você viu, o excesso de telas traz consequências amplas na saúde física, mental e emocional dos pequenos. A SBP recomenda que crianças menores de 2 anos não sejam expostas a celulares sem necessidade, além de orientar os seguintes limites de uso livre, isto é, que não seja para atividades pedagógicas:

  • entre 2 e 5 anos — 1 hora/dia;
  • entre 6 e 10 anos — 1 a 2 horas/dia;
  • entre 11 e 18 anos — 2 a 3 horas/dia;

Ainda, a SBP recomenda que não sejam usadas telas durante as refeições e que os pequenos fiquem desconectados por pelo menos 2 horas antes de dormir. A seguir, veja algumas dicas sobre como reduzir o uso de celular pelas crianças!

Converse e proponha acordos

O primeiro passo para reduzir o uso de celular pelas crianças é conversar muito. Não adianta proibir sem explicar o porquê — isso só gerará frustração nos pequenos. É importante ter diálogos francos, explicar os efeitos negativos do uso de celulares em linguagem adequada para a idade e propor acordos com horários limitados.

Combine locais da casa livres de telas

Converse com os pequenos e definam os locais da casa onde as telas são proibidas — até mesmo para os pais. Por exemplo, a varanda, a mesa de jantar e os quartos de dormir. Assim, essas zonas serão resguardadas e dedicadas exclusivamente à interação familiar, às refeições e ao sono de qualidade.

Prefira a televisão aos celulares

As orientações da SBP podem ser difíceis de cumprir; portanto, para reduzir os impactos da exposição às telas, uma alternativa é preferir a televisão ao celular. Os pequenos ficam menos focados em desenhos passando na TV do que em apps e jogos no smartphone. Por isso, há mais chances de se distraírem com outros afazeres, como brinquedos e livros de colorir.

Organize a rotina da casa

Muitas vezes, o uso excessivo do celular pelas crianças é estimulado pelos pais para dar conta dos afazeres. Por isso, a última dica é organizar a própria rotina para não recorrer aos celulares como uma solução para distrair os pequenos em momentos de correria, sem contar que a previsibilidade ajuda a controlar a ansiedade. Algumas dicas são:

  • manter os compromissos em dia;
  • estipular horários para as atividades da casa, como refeições e sono;
  • revezar os cuidados com os filhos;
  • dividir afazeres domésticos no decorrer da semana;
  • planejar atividades físicas e outras brincadeiras offline.

Por que e como acompanhar o que o seu filho acessa no celular?

Além de reduzir o tempo de exposição às telas, é importante que os pais ou cuidadores supervisionem o uso dos celulares para garantir a segurança e a privacidade on-line. Sem esse cuidado, os pequenos podem expor dados da família, acessar conteúdos impróprios ou ser vítimas de ataques e abusos virtuais.

Por isso, é essencial acompanhar o que o seu filho acessa e tomar cuidados de segurança digital. Veja algumas dicas:

  • não divulgue informações das crianças em redes sociais e evite postar fotos;
  • explique os perigos do contato com desconhecidos, seja por mensagens ou webcam;
  • use apps e perfis próprios para crianças, como o YouTube Kids e contas infantis na Netflix e outros sites;
  • ajuste as opções de privacidade dos sites utilizados, aplicando filtros adequados para toda a família;
  • esteja sempre presente, avaliando os conteúdos consumidos e intervindo sempre que necessário;
  • converse com a criança sobre os vídeos e os jogos de que ela gosta e sobre o que ela aprendeu, como forma de aproveitar o uso dos celulares para criar momentos de interação familiar.

As telas não são vilãs. Ao contrário, podem ser excelentes em muitos aspectos. Porém, o excesso pode levar a diversas consequências para a segurança, a saúde e o desenvolvimento dos pequenos. Por isso, reduzir o uso de celular pelas crianças e acompanhá-lo de perto são atitudes de cuidado e amor.

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