Teoria de Resposta ao Item: o que é e como isso muda a nota no ENEM?

Teoria de Resposta ao Item: o que é e como isso muda a nota no ENEM?

Por ser considerada uma forma de avaliação profunda e coerente, a Teoria de Resposta ao Item (TRI) já é utilizada em vários países ao redor do mundo. O famoso exame TOEFL, de proficiência em inglês, é um dos que utiliza esse sistema de avaliação há bastante tempo. A diferença básica entre a TRI e o modelo de avaliação anteriormente usado no ENEM é que a TRI avalia o candidato e não as questões por ele respondidas. É como se fosse possível entender o quanto o candidato conhece do assunto em vez de apenas somar as questões corretamente respondidas e dar uma nota baseada nelas.

O problema é que a TRI acaba causando muita polêmica entre pais e estudantes, já que torna o cálculo da nota final do ENEM bem mais complexo. Mas a verdade é que esse método obviamente tem sua razão de ser! E neste post vamos explicar tudo o que você e seu filho precisam saber para entender como a TRI funciona e fazer um bom uso desse conhecimento na hora da prova. Tenha sempre em mente que um bom conhecimento do método de avaliação fará com que o candidato responda às questões de forma mais consciente e organizada, aumentando (e muito) suas chances de aprovação!

E então, quer conhecer a Teoria de Resposta ao Item e entender como ela pode influenciar a nota do seu filho nas provas do ENEM? Pois fique de olho:

A divisão dos itens

A primeira especificidade que você deve saber a respeito do método é que os itens (perguntas) na prova do ENEM não têm todos o mesmo peso, isto é, não valem a mesma quantidade de pontos. Na elaboração da prova, todos os itens são divididos em 3 categorias: fáceis, médios e difíceis. Como se pode imaginar, uma questão considerada fácil tem peso menor que uma considerada média e assim por diante. Mas aí você pode pensar que basta seu filho se concentrar em responder a todos os itens difíceis que terá uma ótima nota? Já adiantamos que a lógica não funciona exatamente assim.

Esse é um mito muito comum entre os candidatos, que é redondamente errado primeiramente porque as questões não vêm marcadas como fáceis, médias ou difíceis na prova. O candidato teria que adivinhar para chegar a essas conclusões, o que certamente tomaria um tempo precioso da realização do exame — tempo esse que poderia ser gasto respondendo a outros itens. Além disso, existe o sistema antichute, que avalia as questões todas em conjunto e não separadamente.

O sistema antichute

Há um detalhe na Teoria de Resposta ao Item que ficou popularmente conhecido como sistema antichute. Ele funciona assim: se ao corrigir uma prova, fica claro que o candidato acertou muitos itens difíceis, mas errou muitos fáceis, entende-se que seus acertos nas questões difíceis foram por puros chutes. Pense bem: como seu filho pode acertar uma questão complexa relacionada às causas do aquecimento global e, na mesma prova, apenas algumas questões antes, não saber que gás é o dióxido de carbono?

Em uma situação como essa, o que fica entendido é que ele chutou a questão mais difícil. Se tivesse acertado as duas, a resposta certa para a questão mais difícil valeria mais. Porém, como errou a fácil, as chances de que tenha chutado a difícil são grandes. Exatamente por isso, o acerto teoricamente mais valioso automaticamente passa a valer menos.

As questões em branco

O sistema antichute costuma levar os os estudantes a acreditarem em outro mito: o de que deixar questões em branco é melhor que chutar. Mas isso não é verdade, ok? É claro que o chute vale menos que uma resposta consciente, mas deixar a questão em branco não vale ponto nenhum! Veja da seguinte forma: ao chutar uma questão, o candidato tem 20% de chances de acertá-la, já que o teste tem 5 opções de múltipla escolha. Mas quando deixa uma questão em branco, tem 100% de chances de errar!

Resumindo: em nenhuma hipótese, seu filho deve deixar uma questão em branco na prova do ENEM. Explique os motivos para ele, deixando claro que deve responder a todas as perguntas (itens) como faria no método antigo de avaliação. Ainda que o valor dessas questões seja reduzido pelo sistema antichute, esses pontos podem ser pra lá de preciosos na nota final.

O máximo e o mínimo

Outra coisa que causa confusão na cabeça dos candidatos é que, no sistema de avaliação da TRI, a nota mínima não é zero, e a nota máxima não é 1000. Mesmo que o candidato erre todas as questões da prova, sua nota será maior que zero. Da mesma forma, se acertar todas as questões, também não tirará 1000! Os valores serão respectivamente equivalentes às notas mínima e máxima.

Isso acontece porque a nota 1000 no ENEM corresponde ao infinito, isto é, a alguém que sabe tanto sobre um assunto que seria impossível melhorar. E sabemos muito bem ser impossível que seu filho ou qualquer outra pessoa saiba tudo o que existe sobre um assunto, não é mesmo? Assim como também é impossível saber absolutamente nada sobre um assunto e tirar zero!

Por meio da TRI, 2 candidatos que acertam o mesmo número de questões não tiram a mesma nota, já que cada item (pergunta) tem um peso diferente dependendo de quão fácil ou difícil é e de quantas questões relacionadas ao mesmo assunto cada candidato acertou (ou errou) antes. Isso acontece porque, em uma prova como o ENEM, que avalia milhões de pessoas, se o resultado do exame fosse apenas um número baseado na quantidade de acertos e erros, os empates seriam inúmeros!

A avaliação da nota

Para saber como foi o desempenho do seu filho no ENEM, avalie quando o resultado sair: ele receberá sua própria nota e também um quadro com as notas mínimas e máximas de cada área de conhecimento. Comparando a nota dele com esses números é que você saberá se ele foi bem ou mal. Aí a lógica é simples: quanto mais longe da nota mínima e mais perto da nota máxima, melhor é o desempenho.

E não precisa se preocupar tanto com o resultado disso na classificação geral, pois a TRI não modifica muito a ordem dos candidatos. O estudante bem preparado sempre se sairá melhor, independentemente do método de avaliação. Por isso, a melhor forma de conseguir uma boa nota e ser aprovado no ENEM ainda é uma boa dose de estudos! Com o conhecimento na ponta da língua e sabendo como as regras funcionam, seu filho terá tudo para sair do exame aprovado! Ah, e não custa nada lembrar que a TRI não vale para as provas de redação do ENEM, que continuam sendo avaliadas pelo método tradicional.

E então, conseguimos ajudá-lo a entender a Teoria de Resposta ao Item ou ainda ficou alguma dúvida? Deixe um comentário aqui caso queira dividir conosco seus questionamentos ou acrescentar alguma coisa!