Literatura infantil lúdica: o papel dessa ferramenta na formação de leitores

Literatura infantil lúdica: o papel dessa ferramenta na formação de leitores

É inegável a importância da leitura no desenvolvimento e na educação de crianças, adolescentes e mesmo adultos. Porém, apesar de cada vez mais pessoas parecerem estar lendo e escrevendo constantemente em seus smartphones, tablets e computadores, o gosto pela leitura ainda representa um desafio para pais e educadores.

Esse desafio se torna mais evidente entre indivíduos que não convivam em ambientes nos quais seja um hábito ler livros ou outras formas de textos mais longos e aprofundados.

Embora as plataformas digitais e os e-books estejam bastante difundidos, continua sendo o contato físico e a intimidade com o papel a melhor maneira de criar novos leitores.

Nesse sentido, a literatura lúdica infantil desempenha uma função fundamental para a alfabetização das crianças, proporcionando não apenas o aprendizado das letras do alfabeto e do domínio da leitura e da escrita como também o costume — e até mesmo a necessidade — de ler cotidianamente.

Intimidade com o “objeto livro” deve ser buscada cotidianamente

Se esperarmos a criança entrar na escola para ter seus primeiros contatos com o “objeto livro” em suas mais diferentes formas (revistas em quadrinhos também são uma maneira de introduzir a leitura na vida da criança), é muito provável que o processo de alfabetização e aproximação dela com a leitura enfrente dificuldades.

Não é à toa que os setores infantis das megalivrarias estejam repletos de “livros” cujas “histórias” não passam de figuras. São objetos de folhear feitos de materiais resistentes — muitas vezes impermeáveis ou laváveis — que têm exatamente esta função: apresentar a criança ao objeto livro.

Presença constante dos livros no entorno da criança naturaliza a leitura

Até os seis meses, o bebê provavelmente apenas levará esses “livros” à boca ou brincará com eles na hora do banho, dando-lhes o mesmo tratamento dispensado a um patinho de borracha ou um mordedor ou chocalho.

Mas é importante não subestimar o poder da mensagem passada com isso: livros podem ser tão divertidos como brinquedos. Ter livros e revistas em casa e frequentar bibliotecas e livrarias de maneira recorrente também são maneiras interessantes de tornar esses objetos parte do dia a dia.

Aliás, bibliotecas e livrarias costumam ter programas de mediação de leitura e podem ser excelentes parceiras dos pais.

Literatura infantil lúdica ajuda a aproximar crianças e cuidadores

A maioria dos pais pode não se sentir à vontade ao ler histórias para bebês e crianças que ainda não sabem sequer falar, que dirá ler.

Não se engane: ao abrir um livro para seu filho e contar uma história, mesmo que ele não compreenda totalmente o que está sendo dito, você estará estimulando uma visão de mundo e um comportamento que inclui a leitura como algo natural.

Nesses casos, ajuda muito o livro conter texturas, cores, formatos, sons e outros recursos que o deixem mais parecido com um brinquedo.

É importante escolher histórias e formatos adequados para cada criança

Se uma história for muito complicada, talvez sequer desperte interesse em uma criança pequena. Se as ilustrações forem assustadoras demais, podem espantar outra mais impressionável. Se o formato for ideal para bebês, o livro pode ser rejeitado por um menino mais velho.

Começa na escolha do que será apresentado aos pequenos o trabalho dos pais, cuidadores e educadores nessa trilha de formação de leitores.

Adultos podem realizar a mediação da leitura de diversas maneiras

Quando o pequeno ainda não sabe ler, a mediação da leitura é evidentemente indispensável. Mais do que reproduzir o que está escrito, é importante o adulto interpretar, comentar, ressaltar aspectos curiosos dos livros, chamando atenção para características específicas da história e das ilustrações e demonstrando ele próprio interesse nos livros.

Com crianças mais velhas, que já consigam ler sozinhas, ficar por perto lendo seu próprio livro é uma boa maneira de naturalizar a leitura. Dessa maneira, a leitura provavelmente não será vista como um sacrifício, mas sim como algo divertido como brincar ou necessário como tomar banho, comer e dormir.

Contato com a arte alimenta a imaginação

Diferentemente do que ocorre com desenhos animados, as histórias contadas em livros, mesmo que ilustrados, deixam grande margem para a imaginação da criança, que é assim mais estimulada.

Depende dela visualizar mentalmente como aquela história vai se desenrolar. Isso facilita o acesso ao mundo da fantasia e da criatividade, estreitamente relacionado com a construção da identidade pessoal da criança. Com isso, retomamos a questão da diversão.

A leitura para a criança precisa ser um momento de lazer. Ela não deve enxergar a hora da história na cama, antes de dormir, como uma obrigação, mas, sim, uma oportunidade, um presente.

Literatura infantil ultrapassa os limites dos livros

Embora o contato com o objeto seja essencial, vale lembrar que a literatura infantil existe em nossas vidas desde muito antes da leitura e da escrita. As cantigas de ninar, as brincadeiras de roda e mesmo as histórias contadas por familiares já introduzem as crianças nesse mundo.

No momento em que ela se torna palpável, a tendência é que os pequenos partam em busca de novas descobertas. E essa curiosidade natural pode e deve ser aproveitada. Educadores ressaltam que a compreensão da utilidade de se saber ler e escrever é essencial para um processo de alfabetização tranquilo e bem-sucedido.

Crianças aprendem a ler porque querem ir atrás de mais e mais histórias sem depender de adultos para isso.

Ouvir e ler histórias ajuda a contar e escrever histórias

O desenvolvimento da comunicação interpessoal também é extremamente beneficiado pelo uso da literatura infantil lúdica. Quanto mais histórias a criança ouvir e ler, melhor será o seu desempenho na hora de contar e escrever sobre o que acontece com ela ou mesmo sobre o que passa por sua imaginação.

Da mesma maneira, o domínio da escrita será facilitado. Quem nunca ouviu falar de alguém que escreve perfeitamente, sem erros de português, apesar de desconhecer as regras de ortografia e gramática ensinadas na escola? Pois você pode apostar que essa pessoa lê muito, lê de tudo e lê sempre.

Para saber mais sobre como seu filho pode aprender brincando, confira o post Atividades lúdicas: qual a importância delas para seu filho? Aproveite também e assine nossa newsletter para se manter sempre informado sobre educação!