Linhas pedagógicas: entenda cada uma e como escolher

Linhas pedagógicas: entenda cada uma e como escolher

Com exceção daqueles que trabalham na área da educação, a maioria dos pais normalmente fica sabendo sobre a existência de diferentes linhas pedagógicas no momento em que começa a pensar na formação dos filhos. No contato com outros pais e mães, descobre que não basta escolher uma escola a partir de critérios como proximidade geográfica, estrutura física e valor de mensalidade.

Para fazer uma escolha adequada, é preciso também considerar se o projeto pedagógico e a metodologia de ensino da instituição estão de acordo com os valores e as crenças familiares.

Embora haja muitas convicções firmes sobre qual a melhor pedagogia — não é nada incomum que pais que se considerem mais modernos torçam o nariz para o ensino tradicional ou outros mais conservadores igualmente rejeitem a simples menção de uma escola em que não há provas —, a realidade é que a personalidade e os interesses de cada criança e família também devem ser levados em conta na hora de fazer a matrícula.

Escolas brasileiras se dividem principalmente entre sete linhas pedagógicas

É ponto pacífico entre especialistas da educação que um bom relacionamento de parceria entre a família e a escola é fundamental para a qualidade do ensino que crianças e adolescentes receberão. O que serve para o filho de um colega de trabalho cujos princípios e crenças são muito diferentes dos da sua família não necessariamente servirá para o seu.

É importante notar que nem sempre essas teorias são utilizadas puramente no cotidiano escolar. O mais usual é uma combinação de um ou mais aspectos de diferentes métodos ao mesmo tempo. A seguir, conheça um pouco sobre cada uma das sete principais linhas pedagógicas adotadas pelas escolas brasileiras para saber com qual você tem mais identificação.

As perguntas aqui são: o que eu quero para meu filho e qual a melhor forma de ensino para esses planos se concretizarem?

Comportamentalista

A pedagogia comportamentalista tem como objetivo moldar o aluno conforme as necessidades sociais, fazendo com que ele adquira comportamentos desejados. Isso é feito com controle do professor e mensuração dos resultados através da avaliação da técnica e dos processos utilizados. O ensino é planejado, e os materiais didáticos, programados e controlados. A avaliação é feita por meio de provas e os resultados, recompensados.

Construtivista

A teoria desenvolvida pelo filósofo Jean Piaget não é exatamente um método, mas uma concepção de ensino segundo a qual o aluno é capaz de construir seu conhecimento — o que explica a expressão “construtivismo”.

O conceito foi ampliado para a alfabetização por uma das discípulas de Piaget, Emilia Ferrero. Segundo ela, uma criança é capaz de se alfabetizar sozinha se estiver em um ambiente com letras e textos e tenha um professor atuando como mediador.

Em uma escola construtivista, o objetivo é que o aluno adquira autonomia. Embora o construtivismo não preveja a realização de provas de avaliação, muitas escolas brasileiras que adotam essa filosofia de ensino as aplicam.

Democrática

As escolas de tendência democrática têm a pedagogia baseada na Escola Summerhill, surgida na Inglaterra nos anos 1920 como uma crítica à educação tradicional.

O principal diferencial nesse método é a liberdade que os alunos têm de escolher a maneira como aprenderão os conteúdos necessários à formação.

Não há exigência de cumprimento de carga horária, e avaliação é feita não com provas, mas por meio de participação em trabalhos realizados conforme a preferência do estudante.

Freiriana

Na pedagogia baseada nos conceitos expostos por Paulo Freire, o aluno tem papel de extrema importância.

Ele precisa ser ouvido para que os educadores saibam qual a melhor maneira de ajudá-lo a compreender o mundo através do conhecimento que, para Freire, tem sentido apenas quando transforma o aluno em sujeito capaz de transformar o mundo.

A ideia da educação realizada a partir de princípios como bom senso, humildade, tolerância, respeito e curiosidade é “libertar” o aluno. A linha não prevê a realização de provas, mas podem ser feitas avaliações.

Montessoriana

O método de ensino desenvolvido pela médica e educadora italiana Maria Montessori se baseia na premissa de que a melhor maneira de se descobrir e aprender é através da experiência prática e da observação.

Nesse processo, o educador desempenha o papel de propor atividades motoras e sensoriais e remover obstáculos ao aprendizado. O foco dessa linha — que busca respeitar o ritmo de cada um — está no aluno, e o papel do professor é guiá-lo e orientá-lo.

As salas de aulas montessorianas devem ter poucos alunos (em média 20 por turma) e diversos materiais de estímulo. A realização ou não de provas é opcional. Em alguns casos, a avaliação é feita com base na produção e no desempenho do aluno durante as aulas.

Tradicional

Também conhecida como “conteudista”, a pedagogia tradicional se espalhou pelo mundo no século 18 a fim de universalizar o acesso ao conhecimento.

O ensino é das disciplinas é feito de forma uniformizada e sistematizada, e a avaliação, feita normalmente por meio de provas, tem como objetivo mensurar quanto do conhecimento transmitido foi memorizado.

As escolas tradicionais têm como figura central o professor, disciplina rígida e uma grande preocupação com o ingresso na universidade ao fim do Ensino Médio.

Waldorf

De todas as linhas pedagógicas existentes, a Waldorf, desenvolvida pelo filósofo Rudolf Steiner em 1919, é provavelmente a que mais exige engajamento e concordância por parte dos pais.

A cada ciclo de sete anos (0 a 7, 7 a 14, 14 a 21), a criança tem um único “tutor” que deverá servir como referência ao aluno, que, ao exemplo do que ocorre no construtivismo e com as ideias de Montessori, é o foco dessa filosofia de ensino.

No começo da vida escolar, por exemplo, existe uma preocupação muito grande para que a criança não pule etapas do seu desenvolvimento, como, por exemplo, ser alfabetizada antes dos sete anos de idade. No ensino infantil, há ênfase em artes e em trabalhos manuais e corporais. A visão é holística, visando integrar os aspectos físico, emocional e espiritual do aluno.

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