Filho no ensino médio: como motivar sem pressionar?

Filho no ensino médio: como motivar sem pressionar?

Não faz muito tempo, você estava lá: um sentimento incrível de não ser mais criança, o desejo de fazer coisas de adulto, aquele amor platônico que se transformou (ou não) no primeiro romance.

Também existiam as espinhas, o bullying (que na época não tinha esse nome) e a prova de física. A vida escolar na adolescência não é fácil, você deve se lembrar. Mas agora é a vez do seu filho no ensino médio!

Todas essas vivências fazem parte das recordações. Você já consegue visualizar o quanto a forma como o Ensino Médio foi aproveitado impactou a sua vida. Por isso, bate aquele desejo de fazer seu filho entender isso para aproveitar ao máximo o que esse momento da vida escolar pode oferecer. Mas como motivar sem pressionar?

Neste post, vamos mostrar o quanto é importante a participação dos pais na vida escolar dos filhos. Também traremos dicas valiosas para apoiar o adolescente sem invadir seu espaço ou torná-lo dependente.

Participe da vida escolar do filho sem dominá-lo

Acompanhar o desenvolvimento escolar do filho é algo bem diferente e mais desafiador quando ele entra na adolescência. Em um de seus artigos, Içami Tiba apresenta esse contraste. Enquanto a criança demonstra total confiança no que o adulto ensina, o jovem deseja independência para fazer o que tem vontade.

“Adolescentes querem ser donos de suas vidas ainda sem estarem prontos, quando ainda precisam estudar e muitos deles não querem. (…) Portanto é preciso que combinações sejam feitas. Tudo passa a ser uma questão de encontrar o equilíbrio numa fase que os onipotentes juvenis querem chegar aos extremos”, orienta o educador.

Encontrar a combinação perfeita entre apoio e autonomia não é tarefa fácil. Mas é possível administrar essa situação com algumas medidas bem simples e que podem assegurar o bom desempenho escolar de seu filho. É o que vamos mostrar a seguir.

Garanta o sucesso do seu filho no Ensino Médio

Estudar com o objetivo de aprender para, num futuro próximo, ter um bom desempenho do Enem é um desafio se em sua casa a cultura do “passar de ano” foi estabelecida. O foco agora precisa ser maior e esse pensamento estratégico, por vezes, dá lugar à necessidade juvenil de descobrir o mundo adulto.

Para ajudá-lo nessa tarefa de motivar seu filho a estudar, listamos 6 dicas práticas que vão melhorar o desempenho do adolescente e, ainda, enriquecer seu relacionamento com ele.

1. Combata a inércia

Existe uma verdade escondida naquele ditado que sua avó provavelmente dizia: “mente vazia é oficina do diabo”. Para um corpo em formação, repleto de energia, não ter o que fazer é uma verdadeira tentação para desperdiçar tempo nas redes sociais, no videogame ou em atividades que pouco ou nada acrescentam.

O ideal é incentivá-lo a participar de atividades que o ajudem a melhorar a concentração, manter a saúde física e complementar sua formação. Vale a pena adotar ao menos uma prática esportiva, além de estimulá-lo a desenvolver alguns hobbies, como teatro, dança, música ou carpintaria. Os momentos de ócio e de encontrar os amigos também são importantes, mas não podem ocupar a maior parte do dia.

2. Ajude a organizar uma rotina

Se o seu filho estuda meio período, vale a pena incentivá-lo a organizar um calendário. Mostre que, ao administrar o tempo, é possível garantir espaço tanto para as obrigações quanto para os prazeres. A melhor forma de convencê-lo dessa necessidade é o exemplo. Procure estabelecer sua rotina e apresente para o seu filho como você faz para organizar o seu tempo.

Também é importante conhecer bem o calendário do adolescente. Assim, pode dar aquela checada se o planejamento está saindo do papel.

3. Vença a procrastinação com metas

Deixar as coisas importantes para resolver de última hora não é só mérito do adolescente. Todos nós sofremos de alguma forma com a procrastinação. Uma técnica que pode ajudar seu filho é dividir grandes objetivos em pequenas metas.

Se ele precisa ler um livro de 300 páginas em 1 mês, por exemplo, apresente a proposta de ter como meta diária 10 páginas por dia. Isso será bem mais fácil que se desesperar na última semana do prazo para dar conta da tarefa.

4. Estabeleça um sistema de recompensas

Esse é um método antigo que precisa ser usado com critério. Evite prometer presentes ou dinheiro! As recompensas precisam ser proporcionais às metas alcançadas.

Então, voltando ao exemplo do livro, se ele conseguiu cumprir a tarefa, pode ganhar um tempo a mais no computador. Se teve um ótimo desempenho por causa da leitura, quem sabe poderá ir ao show que tanto queria.

Tome cuidado em passar a mensagem correta. O objetivo não pode ser passar de ano, mas, sim, aprender conceitos e saber aplicá-los, demonstrar responsabilidade e desenvolver valores. É importante que fique claro para o adolescente que a liberdade e os benefícios por ele conquistados são fruto de um relacionamento de confiança.

5. Ofereça uma boa formação

Para que seu filho possa ter chances de sucesso, escolher um bom colégio é determinante. Por isso, avalie bem o custo-benefício da instituição de ensino, antes de fazer a matrícula.

Muitas vezes, a voz da economia fala mais alto e leva a um resultado desastroso! Verifique a linha pedagógica, a grade curricular, atividades extras oferecidas, a formação dos professores e o índice de aprovação da escola nos principais vestibulares (Enem, Fuvest, Unicamp etc.).

6. Compreenda antes de criticar

Julgar as situações que se apresentam na vida do adolescente antes de conhecer os motivos que levaram aos fatos, tanto no quesito motivação quanto no relacionamento, não é indicado, pois pode ter consequências negativas — uma nota ruim pode acontecer apesar do esforço. Esse é o momento de oferecer suporte e incentivo, não de pressionar.

Troque as sentenças do tipo “esperava uma nota melhor que essa” ou “só 8? Eu esperava um 10”, por “me conte o que aconteceu de errado” ou “tenho certeza de que você pode melhorar, mas esse já é um ótimo resultado”. Se a dificuldade veio de uma falha de organização, permita que ele chegue a essa conclusão.

No lugar das afirmações taxativas, faça perguntas, tais como “o que você acha que aconteceu?” ou “será que essa nota vai te comprometer na matéria?”. Assim, o próprio adolescente vai começar a fazer as relações entre causa e efeito.

Vale lembrar, também, que temos mais afinidade com alguns conteúdos que outros. É preciso identificar os pontos fortes e fracos para traçar um plano de estudos mais estratégico.

Esperamos, com essas dicas, que ter um filho no ensino médio seja uma oportunidade de amadurecimento para toda a família! Para receber mais orientações, basta assinar nossa newsletter!