Existe uma metodologia de ensino perfeita?

Existe uma metodologia de ensino perfeita?

Uma das grandes questões cada vez mais discutidas no ambiente educacional é a metodologia de ensino ideal. Professores lidam diariamente com diferentes alunos, diferentes habilidades e dificuldades em sala de aula. Um dos grandes impasses está em processar toda essa diversidade de forma a obter resultados satisfatórios tanto em nível individual quanto de forma coletiva.

Mas existe realmente uma metodologia de ensino inovadora? Como trabalhar de forma a obter melhores resultados em relação ao aprendizado da turma?

Conheça aqui algumas orientações que o farão pensar de forma mais clara em relação à incorporação adequada do conhecimento.

Diferenças individuais em sala de aula

Sabemos que em sala de aula sempre haverá aquele aluno mais cordial, ou aquele cujas características emocionais são mais instáveis. Há também aquele estudante menos afeito a responsabilidades e outro mais sensível a mudanças.

Assim como em qualquer outro ambiente, a sala de aula é composta por pessoas com variadas características de temperamento, e é no momento de lidar com essas diferenças que percebemos a dificuldade em agradar a “gregos e troianos”.

Como os múltiplos traços de personalidade e temperamento acabam influenciando no modo de trabalhar com cada aluno, o professor deve ter em mente que essas diferenças sempre existirão e, por isso, o ideal é esforçar-se para valorizar a individualidade e respeitá-la, estimando o que cada aluno tem de melhor para oferecer e ensinando-o, ao mesmo, a desenvolver melhor seu potencial cognitivo a partir de suas habilidades e limitações.

Os diferentes estilos de aprendizagem

Os estilos cognitivos, além dos estilos temperamentais, são outros fatores que, além de estarem presentes de forma individual, impactam diretamente no aprendizado e na escolha da metodologia de ensino ideal.

Todos nós possuímos um método ou processo cognitivo preferencial para aprender alguma coisa durante a vida. Existem aqueles que melhor absorvem os conteúdos de forma visual, auditiva ou, finalmente, aqueles que aprendem mais eficientemente de maneira sinestésica.

E qual a estratégia utilizar para ajudar no desenvolvimento cognitivo de todos os alunos em sala de aula?

O segredo é, mais que priorizar um ou outro estilo, trabalhar de forma a conciliar todos eles. Fazendo isso você estará dando oportunidades para que todos consigam absorver melhor um mesmo conteúdo e, além disso, permite que cada aluno perceba as suas próprias preferências de aprendizagem – a depender da sua maturidade para isso – e adote medidas e estratégias mais adequadas de aprendizado.

As múltiplas inteligências

A Teoria das Inteligências Múltiplas, desenvolvida por Howard Gardner em 1985, tem como função repensar o conceito de inteligência como sendo uma capacidade geral e única. Essa teoria sugere que existem capacidades independentes entre si, como a inteligência linguística, musical, lógico-matemática, espacial, cinestésica (que difere da habilidade sinestésica citada anteriormente), interpessoal e intrapessoal.

Dessa maneira, um aluno pode ter menor aptidão lógico-matemática e maior habilidade visuo-espacial, ou vice-versa. Outro pode ser ótimo no que diz respeito à liderança em sala de aula, mas não ter habilidades linguísticas tão bem apuradas.

Da mesma forma, as disciplinas ministradas em sala de aula demandam mais ou menos de cada uma dessas habilidades e, portanto, dificilmente um mesmo aluno terá ótimo rendimento em todas as disciplinas aprendidas.

E como trabalhar com as múltiplas inteligências nas diferentes disciplinas?

O professor, mais uma vez, deve ser o personagem principal nesse sentido. Ele deve evitar rotular os alunos e oferecer suporte para que cada estudante consiga, juntamente com ele, alcançar rendimento satisfatório em um determinado conteúdo.

Outra maneira interessante é intercalar nas avaliações questionamentos que trabalhem mais de uma das habilidades, de forma que aquele aluno do exemplo acima, que possui dificuldades lógico-matemáticas, consiga resolver uma questão matemática a partir de pistas visuo-espaciais. Com o tempo, ele ficará mais à vontade com os temas envolvendo o raciocínio lógico, e isso certamente o deixará mais seguro em relação a essa disciplina, favorecendo assim o seu desempenho geral.

Como é possível lidar com a diversidade?

Observamos nesse post que o trabalho do professor demanda habilidades importantes de observação inter e intraindividual. Ele deve conhecer os diferentes tipos de temperamento, traços de personalidade, estilos cognitivos e as múltiplas inteligências existentes nas turmas, uma vez que todos esses fenômenos acabam impactando na maneira de agir em sala de aula.

Assim, podemos sugerir que a melhor metodologia de ensino envolve a capacidade de buscar aquela que se enquadre melhor em cada sala, dependendo de como ela é formada em relação a esses fatores.

Mais que uma metodologia de ensino, uma forma de possibilitar a metacognição

Investir na educação diferenciada, contudo, é permitir que o aluno seja parte ativa nesse processo.

O velho método de ensino com aulas obrigatoriamente expositivas com subsequente avaliação não ajuda o aluno a sentir-se parte do todo, nem tampouco promove um movimento próprio do estudante em busca de conhecimento.

Aulas que estimulam a metacognição, ou seja, que fazem com que os alunos aprendam a conhecer as suas melhores estratégias de aprendizado, são as que irão contribuir, de fato, para alavancar o conhecimento em sala de aula. E ainda melhor, fazer com que o aluno tenha maior independência, uma vez que em determinado momento ele não terá a presença do professor para buscar soluções e o melhor caminho para a tomada de decisão.

Na prática, cada conteúdo inserido no programa da disciplina deve ser ministrado de maneiras mais diversas possíveis. O professor pode:

  • Expor o conteúdo oralmente, apresentando situações que favoreçam o raciocício matemático e linguístico;
  • Ilustrar cada conteúdo por meio de desenhos, esquemas, mapas e animações;
  • Relatar histórias e contar casos e anedotas;
  • Propor atividades simuladas como jogos, exercícios práticos e miniprojetos a serem desenvolvidos;
  • Fazer uso de poemas cantados, músicas e rimas diferentes para melhor memorização dos conteúdos, entre outros.

Em resumo, a melhor metodologia de ensino é aquela em que o professor investe em aulas mais interativas, dinâmicas, que permitam a troca de ideias, que trabalhem o conhecimento de forma autossuficiente e que despertem nos alunos a curiosidade pelos temas trabalhados, através de atividades mais práticas e um ambiente de ensino que o permita se destacar futuramente no mercado de trabalho.

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