Educação 3.0: conheça esse novo modelo de ensino

Educação 3.0: conheça esse novo modelo de ensino

Que o mundo moderno está em constante mudança já é praticamente lugar-comum nos dias de hoje. Contudo, embora as inovações tecnológicas frequentes já façam parte do nosso dia a dia ao menos há algumas décadas (das descobertas científicas quase diárias ao lançamento de novos smartphones a cada ano, por exemplo), apenas recentemente começamos a ver o mesmo ritmo de mudança adentrar o terreno da pedagogia. 

De alguns anos para cá, as iniciativas dedicadas a refletir sobre o sistema de ensino predominante nas escolas do Brasil e do mundo não param de crescer. E, com elas, surgem experiências envolvendo a adoção da tecnologia na sala de aula, a elaboração de currículos e testes mais voltados para habilidades e competências do que para conteúdos e até a criação de métodos voltados para a personalização do ensino. Mas ainda que pareçam propostas distintas, é possível ver uma direção comum em meio a essas e tantas outras inovações: a educação 3.0.

Ficou curioso? Pois neste post você vai conhecer esse novo modelo de ensino, saber quais são suas principais diferenças em relação aos modelos anteriores e entender por que a educação tem caminhado nessa direção. Acompanhe!

O que são os modelos 1.0 e 2.0 de educação?

Cunhado pelo professor James G. Lengel, da Universidade de Boston, nos EUA, em seu livro Education 3.0: 7 steps to better schools (em tradução livre, Educação 3.0: 7 passos para escolas melhores), o termo educação 3.0 se refere a um novo modelo de ensino-aprendizagem que pressupõe, evidentemente, a existência de dois modelos anteriores ultrapassados pelo terceiro. Para entender melhor, vamos traçar agora um panorama rápido da educação 1.0 e da educação 2.0, segundo nos explica Lengel. Veja:

Educação 1.0

Primeiro modelo de ensino-aprendizagem criado pela humanidade, a educação 1.0 estabeleceu o padrão em que o professor (ou o mestre) ensina um grupo pequeno de estudantes ou até mesmo um único aluno. Esse é o modelo que vigorou na época em que a educação e o conhecimento eram considerados essenciais apenas para uma parte restrita da população, normalmente nobres, intelectuais e filósofos. Apesar de eficiente, esse tipo de educação particular não tinha capacidade de se expandir para as massas. Daí surgiu, portanto, a necessidade de se pensar em um novo modelo.

Educação 2.0

Quando o mercado de trabalho passou a exigir, a partir da Revolução Industrial, a universalização do ensino, reconhecendo-o como direito de todo cidadão, foi preciso criar um novo sistema. A partir daí, surgiu a educação 2.0, caracterizada pela possibilidade de um único professor ensinar dezenas de alunos ao mesmo tempo. Todavia, apesar do sucesso, esse modelo de educação apresentava um probleminha: para atender a um número maior de alunos simultaneamente, a educação precisou ser sistematizada e padronizada de acordo com moldes que atenderiam à maioria, mas, naturalmente, não a todos.

Assim, se a porcentagem da população mundial com acesso à educação de qualidade aumentou exponencialmente, a quantidade de alunos com dificuldades de aprendizado também cresceu. Afinal, cada estudante continuou a ter suas dificuldades e habilidades peculiares que, por vezes, não se encaixavam no modelo praticado. É o caso de alunos com mais facilidade para aprender por meio da leitura, por exemplo, e que por isso acabam prejudicados nas aulas estritamente orais. Da mesma forma, aqueles que precisam da ação para assimilar o conteúdo e são obrigados a se manter quietos para não prejudicar o aprendizado dos outros também fogem da suposta regra. 

Mas e a educação 3.0?

Talvez as desvantagens da educação 2.0 nunca pudessem ter sido repensadas se, no final do século XX, não tivesse surgido a internet e toda a tecnologia gerada a partir dela. Foi, afinal, o surgimento dessa rede de informações que revolucionou um paradigma que fazia parte tanto da educação 1.0 quanto da 2.0: o papel de detentor do conhecimento atribuído somente ao professor.

A partir do momento em que estudantes e profissionais de todo o mundo não precisam apenas do professor para aprender e solucionar suas dúvidas (já que têm inúmeros conteúdos disponíveis na web para tanto), o educador pode sair de sua posição de líder e único detentor do conhecimento para se posicionar horizontalmente em relação aos alunos, que conquistam maior autonomia em seu próprio aprendizado. E essa democratização do conhecimento trazida pela internet não afetou apenas o sistema de ensino como atingiu, ainda, o mercado de trabalho, que passou a exigir pessoas capazes de aprender de forma autônoma e constante. 

O professor passou, assim, a desempenhar função de guia de uma jornada dirigida pelo próprio estudante, ainda que em colaboração com educador e colegas. É ele quem decide que métodos de aprendizado usar, bem como os assuntos a que deseja se dedicar mais. Surge, dessa forma, a possibilidade de conjugar a abrangência da educação 2.0 com a individualização da 1.0 em um novo modelo: a educação 3.0.

Como essa novidade é aplicada na escola?

Evidentemente, além de requerer uma certa infraestrutura que nem toda instituição de ensino possui, esse novo padrão de ensino ainda é extremamente novo. Por isso é que atualmente são poucas as escolas que efetivamente adotam a educação 3.0.

Nas escolas em que esse modelo já vem sendo posto em prática, no entanto, é comum que as divisões entre séries e níveis, antes fixadas à passagem do tempo, tornem-se mais flexíveis. Com isso, o estudante pode avançar no seu próprio ritmo. Isso quer dizer que, dentro dessa nova metodologia, uma turma pode haver alunos com conhecimentos mais ou menos avançados de uma mesma disciplina, tudo baseado nos interesses e na capacidade dos estudantes de assimilar aquele conteúdo.

Além disso, como é o próprio aluno que decide o que, quando e como estudar, é possível que ele consiga escolher entre ler um conteúdo em uma fonte on-line sugerida pelo professor, assistir a um vídeo ou escutar um áudio sobre o assunto, discutir com os colegas ou assimilar a matéria da maneira que lhe for mais conveniente. Só vale ressaltar um detalhe importante: o aluno tem liberdade de escolher o que deseja estudar, mas as opções precisam se manter dentro dos padrões e da grade exigida pelo MEC!

Com isso, em vez de transmitir o conhecimento ao aluno, o professor assume a função de ajudar o estudante a descobrir qual é a melhor forma de aprender, orientando quanto a fontes e métodos existentes, solucionando suas dúvidas e promovendo o pensamento crítico.

Que diferença tudo isso fará para os alunos?

À medida que a educação 3.0 for sendo aplicada nas escolas, as crianças terão que se encarregar do seu próprio aprendizado em vez de deixarem essa tarefa quase inteiramente sob responsabilidade da instituição de ensino. Assim, caberá aos responsáveis e educadores motivar as crianças a aprender, conscientizando-os da diferença que os estudos podem fazer no seu futuro.

Além disso, por meio da personalização do ensino, crianças e adolescentes poderão se dedicar a explorar ao máximo suas capacidades particulares, concentrando esforços em áreas, disciplinas e atividades nas quais se destacam para aprimorar seus conhecimentos. Isso sem, é claro, deixar de aprender o básico!

Ficou curioso para saber mais sobre o assunto? Então você provavelmente também vai gostar de ler o post em que discutimos a possibilidade de se existir uma metodologia de ensino perfeita! Só não se esqueça de deixar aqui um comentário nos contando sobre suas impressões acerca da educação 3.0!

 

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