É brincando que se aprende: a importância do brincar para o desenvolvimento infantil

É brincando que se aprende: a importância do brincar para o desenvolvimento infantil

Brincar é uma das maneiras mais naturais e divertidas de formar conhecimento. Até mesmo na adolescência e na fase adulta, é preciso nos sujeitarmos a novas experiências, dramatizações e a muita sujeira para testarmos ideias e aprendermos novas lições. Contudo, muitos pais ainda têm dúvidas ao lidar com as brincadeiras da criançada: o que é saudável para cada fase? Quando ter contato com a tecnologia? Para responder a essas e outras questões sobre o desenvolvimento infantil, leia o que trouxemos para você! 

Qual é a importância das brincadeiras para o desenvolvimento infantil?

É por meio das brincadeiras que a criança emerge no processo de aprendizagem, facilitando a construção da autonomia, reflexão e criatividade. Dessa forma, a criança se desenvolve integralmente, abrangendo os âmbitos sociais, afetivos, culturais, cognitivos, emocionais e físicos. Portanto, as brincadeiras são vitais para o desenvolvimento infantil.

Mas se você pensa que brincar se restringe à diversão, é hora de rever seus conceitos! Brincar vai além da recreação. Trata-se de uma dinâmica complexa, na qual a criança comunica-se consigo mesma e com o mundo ao seu redor. Assim, o desenvolvimento ocorre com as trocas recíprocas. Além de brincar e se divertir, a criança desenvolve a memória, a atenção, a imitação e a imaginação, bem como a sua personalidade, inteligência e afetividade.

Vygotsky, um dos maiores representantes da psicologia histórico-cultural, afirmava que o sujeito se constitui ao se relacionar com os outros em atividades “caracteristicamente humanas”. A brincadeira infantil, nesse sentido, é uma maneira de a criança se expressar e formar sentidos sobre o mundo. Por meio da brincadeira e de atividades lúdicas, a criança atua simbolicamente nas diferentes situações vividas por ela, elaborando conhecimentos, significados e sentimentos. 

Quando as crianças brincam, assumem diferentes papéis. Assim, elas criam mecanismos para agir diante da realidade, substituindo ações cotidianas pelas ações cumpridas pelo papel assumido. É por meio das brincadeiras que a criança estabelece contato com o mundo físico e social.  

Quais são as 3 etapas fundamentais da brincadeira, segundo o desenvolvimento da criança?  

De 0 a 2 anos de idade, a criança participa do que chamamos de Jogos de Exercício. Nessa etapa, a criança está adquirindo suas competências motoras e desenvolvendo autonomia. Ela demonstra alegria ao imitar a fala e demanda que os adultos a coloquem no chão. Também revela prazer ao descobrir seu corpo através dos sentidos. E assim, as brincadeiras da criança se desenvolvem em torno da exploração dos objetos através dos sentidos _ e é essencial ter cuidado com artefatos pequeninos, que as crianças tendem a inserir nas narinas, na boca e nos ouvidos! Com os chamados “jogos de manipulação”, a criança fortalece a autoestima.  

Entre os 2 e os 7 anos de idade, a simbologia passa a exercer um papel fundamental nas brincadeiras da criança. Daí a preferência por fantoches, desenhos, histórias e “faz de conta”. Nessa fase, a criança já é capaz de produzir imagens mentais e, com a fala, substitui objetos por símbolos. Através desta simbologia, a criança compreende os papéis sociais que integram sua cultura, como o do pai, da mãe, professores, irmãos, entre outros. 

A partir dos 7 anos de idade, a criança passa a ter um entendimento melhor sobre seguir regras. Daí a importância de brincadeiras e jogos nos quais a criança desenvolva estratégias para tomar decisões. Desse modo, as crianças interagem socialmente, descobrindo que não são os únicos sujeitos envolvidos nas ações, desenvolvendo a empatia e a capacidade de entender os objetivos de outras pessoas.  

Através de jogos com regras, as crianças aprendem também a controlar o comportamento impulsivo. Portanto, de acordo com cada jogo, a criança desenvolve competências para adaptar seu comportamento. Dados os objetivos e a estrutura do jogo, a criança desenvolve sua capacidade de pensar e refletir sobre seus próprios atos, fazendo uma autoavaliação de seu progresso, habilidades e de seu comportamento moral. 

Qual é o papel dos adultos para estimular o desenvolvimento infantil?

Diante de tantas ofertas de brinquedos pedagógicos e materiais educativos, é comum que os pais se sintam desorientados sobre o que é mais saudável para os pequenos. 

Porém, não há fórmula mágica: cada criança possui um desenvolvimento singular. Cabe aos adultos estimularem a imaginação dos pequeninos, questionando-os e incentivando-os a encontrar soluções para os problemas que surgirão. Por isso, procure instigar seu filho a trilhar seu próprio caminho e se envolver nas brincadeiras! Brincar com alguém reforça laços afetivos, e quando um adulto se dispõe a brincar com as crianças, ele demonstra afeto e eleva o nível de interesse dos pequenos. 

Como tornar a tecnologia uma aliada nesse processo? 

Para diversos pedagogos, o papel da tecnologia no desenvolvimento infantil ainda é dúbio. Smartphones, tablets e outros artefatos tecnológicos estão por toda parte, e o contato entre as crianças e essas tecnologias acontece cada vez mais cedo. Para pais sobrecarregados, garantir o acesso dos pequenos a smartphones e tablets é uma forma de garantir um pouco de liberdade, deixando as crianças mais calmas.  Além disso, muitos pais acreditam que tornar os filhos hábeis com o universo tecnológico logo cedo é uma forma de prepará-los para o mundo. 

Segundo a Pedagogia Waldorf, a utilização precoce e sem limites da tecnologia pode ser altamente nociva para o desenvolvimento infantil. Isso porque as atividades virtuais têm ocupado um espaço maior na vida infantil, fazendo com que um grande grupo de crianças esteja se exercitando cada vez menos, sofrendo com dificuldades para lidar com o próprio corpo e com a obesidade. 

Principalmente na primeira infância, é importante que a criança tenha contato sensorial tridimensional com o mundo ao seu redor. Na tela plana dos eletrônicos, o contato sensorial da criança é bastante limitado, o que prejudica o desenvolvimento motor, a linguagem, o aprendizado e a capacidade de lidar com as emoções e com outras pessoas. 

Diante desse cenário, como proceder? É importante lembrar que as crianças aprendem pelo exemplo. Pais que vivem conectados o tempo todo devem repensar seus hábitos, incentivando os filhos a adotarem práticas mais benéficas, que incentivem a interação com o mundo real. Antes de presentear seus filhos com tablets e smartphones, busque estimular o uso de bolas, livros, materiais de desenho, bonecas e petecas. Assim, ela estará mais madura acerca dos próprios sentidos e emoções antes de lidar com esses aspectos no mundo virtual. 

Brincar não significa apenas ter recreação. Trata-se da forma mais complexa de uma criança se comunicar com o mundo e consigo mesma. Por isso, uma das melhores formas de acompanhar e incentivar o desenvolvimento infantil é proporcionar um ambiente rico para brincadeiras, tanto no âmbito escolar quanto familiar, fazendo com que as crianças explorem diferentes linguagens e desenvolvam sua criatividade, imaginação e uma grande diversidade de habilidades cognitivas.

Brinque com o seu filho e fique atento às atividades oferecidas pela escola! Se você gostou deste artigo, leia também sobre o que é brincar na contemporaneidade e não perca a chance de entender ainda mais sobre os desafios dos novos tempos para a educação do seu filho! 

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