Dificuldades de aprendizado: o que a escola deve fazer?

Dificuldades de aprendizado: o que a escola deve fazer?

Seu filho chega da escola um pouco tristonho. Você percebe que ele não está animado para frequentar às aulas e demora horas com as tarefas de casa. Você se pergunta o que pode estar acontecendo, e uma das possibilidades é que seu filho esteja desmotivado porque está havendo alguma dificuldade de aprendizado.

Muitos bloqueios podem prejudicar o desenvolvimento do aluno, que vão desde um problema pontual em apenas um conteúdo até aspectos biológico. Confira quais são os problemas geralmente enfrentados e como você pode contar com a escola nesses casos.

O que é dificuldade de aprendizagem?

De acordo com a teoria das inteligências múltiplas, de Howard Gardner, que defende 8 ou 9 tipos de inteligência, de modo que cada indivíduo tem um perfil de inteligência, tendo portanto facilidades e/ou dificuldades em áreas específicas do conhecimento ou em momentos específicos de seu processo de aquisição do conhecimento. Nesse sentido é importante compreender que o aluno que apresenta alguma dificuldade de aprendizado é totalmente capaz de aprender, como qualquer colega. 

Algumas vezes o empecilho é de ordem biológica, como em casos de Dislexia, Autismo ou Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH). Em outras, o problema vem de uma dúvida em alguma matéria mais difícil ou estresse. Há também os alunos que têm dificuldades físicas como problemas oftalmológicos ou de audição, que podem ser facilmente resolvidos com o uso de óculos ou aparelho auditivo.  

Porém, há quadros em que tudo está bem com a criança, mas a desordem é de fundo emocional. Muitas vezes ocorre após um evento traumático como a morte de um ente querido ou a separação dos pais, por exemplo.

Em todos esses casos, a criança precisa do apoio da família, da escola e de profissionais capacitados. É fundamental mostrar para ela que não está sozinha e que juntos vão conseguir vencer aquela dificuldade.

Quem é o culpado pelo problema?

A dificuldade de aprendizagem (DA) ocorre quando a criança não consegue assimilar o conteúdo, mesmo após diversas explicações do professor e dos pais. É importante olhar para o aluno e para qual é sua barreira real. Nesse caso, não existem culpados, nem a criança, nem os pais e nem a escola, mas todos devem tomar a responsabilidade para resolver a questão.

Vygotsky diz que é válido auxiliar o estudante durante suas atividades de aprendizado. Não é o caso de retirar a autonomia da criança, mas sim ajudá-la a superar aquele problema. Ele fala ainda que aquilo que o aluno faz hoje com a ajuda de um adulto ou um colega ajudará para que ele faça sozinho amanhã. Com isso, fica perceptível a importância da das relações sociais, do apoio e da interação durante a aprendizagem.

O que acarreta a dificuldade?

Alguns fatores externos podem prejudicar a criança e ser motivo da sua barreira de aprendizagem. É importante que os pais e a escola fiquem atentos sobre isso. Para tal, uma conversa com a coordenação para achar o melhor caminho é sempre benéfica.

É importante avaliar se algo diferente aconteceu na rotina do aluno. Fatos que podem passar despercebidos, mas que, no fim, acabam sendo a causa desses problemas para aprender. Essas situações podem ser:

  • falta de rotina familiar;
  • falecimento de alguém próximo;
  • mudança de cidade, residência ou escola;
  • separação dos pais;
  • excesso de atividades extras;
  • medicamentos que diminuam a atenção;
  • sono desregulado.  

Qual é o papel da escola?

Os pais devem ser participativos na educação. Eles e o professor são peças-chave na identificação das dificuldades do estudante, pois estão diretamente com a criança e podem perceber mais facilmente os obstáculos na aprendizagem. Quando identificar algum problema, o docente deve comunicar à coordenação para que entre em contato com os responsáveis.

Logo, os pais devem esperar que a escola seja um ponto de apoio para seus filhos. Ela deve agir para incentivar os estudos e buscar formas de incluir o aluno nas atividades. A escola deve também realizar um bom acompanhamento durante as aulas. E, se for o caso, outra medida é que o espaço disponha de profissionais especializados como:

  • pedagogos;
  • fonoaudiólogos;
  • monitores ou professores auxiliares;
  • psicólogos.

O diagnóstico do especialista em saúde é essencial antes de tomar qualquer medida. Essa avaliação pode ser feita de maneira multidisciplinar, garantindo uma visão completa sobre a criança.

Quais soluções a escola pode realizar?

Além de oferecer o apoio de uma equipe qualificada e contar com a participação dos pais, a escola pode tomar outras medidas. O professor deve incentivar em sala de aula para que o rótulo de “deficiente” ou “insuficiente” seja removido.

A criança que enfrenta mais dificuldades certamente é competente. Porque, mesmo com seus obstáculos, ela está determinada a aprender. E é isso que a escola deve facilitar.

Envolver os demais alunos também é uma boa forma de garantir a interação da turma. Dessa forma, a criança não se sente excluída da sua turma e pode contar com o apoio dos outros colegas.

O professor também deve adaptar sua metodologia de ensino para suprir essas barreiras enfrentadas. Trazer atividades diferenciadas, como jogos, atividades lúdicas e aparatos tecnológicos é uma forma de fazer isso.

A escola pode também trazer para seu ambiente de ensino:

Monitoria

Dispondo de um monitor, o trabalho docente fica mais eficiente. Como uma turma tem muitos alunos, algumas vezes o professor não consegue prestar o apoio necessário para o aluno com dificuldades. Nesses casos, o papel do monitor é necessário.  Ele dará suporte para o aluno enquanto a aula segue seu curso normal.

Sala de recursos pedagógicos

Esse é um ambiente em que o aluno será avaliado e acompanhando por professores especialistas. A criança responderá a um questionário que apontará se ela precisa de aulas extras na sala de atividades pedagógicas. Nesse local, geralmente há: jogos educativos, materiais de apoio e livros. Com isso, o aluno contará com uma abordagem diferente de ensino.  

Atendimento especializado

Pode ocorrer de o aluno ser encaminhado para o psicopedagogo, psicólogo ou fonoaudiólogo. Algumas escolas contam com esses profissionais em seu time. Dessa forma, o aluno pode ser sempre auxiliado de maneira holística, além de ter uma atenção especializada que os pais ou professores não poderiam suprir.

O papel da escola vai muito além de apenas passar conteúdo. É preciso abraçar o aluno como indivíduo integral. Quando há dificuldades de aprendizado em sala de aula, todos devem agir para oferecer sustento ao estudante. Juntos, pais, escola e especialistas podem auxiliar a criança a contornar esse obstáculo. Que tal ajudar outros pais compartilhando esse artigo nas redes sociais