Como usar o ferramental tecnológico para potencializar o aprendizado da geração digital

Como usar o ferramental tecnológico para potencializar o aprendizado da geração digital

Muitas vezes, antes mesmo de aprender a caminhar, as crianças de hoje já sabem executar comandos em smartphones e tablets. Ao mesmo tempo em que aprendem a traçar as primeiras letras no papel, descobrem a localização delas nos teclados dos computadores. Assim como ocorreu com seus pais, avós e bisavós, a meninada que já tem a vida registrada nas redes sociais desde que era uma imagem difusa na primeira ultrassonografia também contará com as escolas para descobrir o mundo.

Mas você já parou para pensar como deve ser o aprendizado da geração digital para condizer com a realidade altamente tecnológica dessas crianças e adolescentes? Está cada vez mais claro que simplesmente proibir o uso de tecnologia e forçar sua troca pelos analógicos quadro-negro e giz e caderno e canetas não vai funcionar. Ao mesmo tempo, será possível digitalizar completamente a experiência da transmissão e aquisição de conhecimento?

A seguir, vamos ver de que maneira os especialistas da educação estão pensando a integração e interconexão entre esses dois mundos.

Aprendizado da geração digital ganha com uso racional da tecnologia

A popularização de equipamentos como smartphones, tablets e videogames portáteis entre crianças e adolescentes pegou no contrapé algumas gerações professores que haviam aprendido a ensinar de maneira tradicional. Nem mesmo as instituições com metodologias de ensino mais alternativas escaparam da disputa desleal entre livros e games, cadernos e aplicativos, aulas de caligrafia e convívio nas redes sociais. Com a inserção inevitável da tecnologia dentro da sala de aula, passou a haver a necessidade de se buscar pelo equilíbrio entre o moderno e o tradicional.

Professores precisam conhecer a tecnologia para aplicá-la da melhor maneira

Para a educadora Maria Elizabeth Bianconcini de Almeida, da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), defensora das “TICs”, ou Tecnologias de Informação e Comunicação, não basta apenas aparelhar as escolas com equipamentos – embora isso seja, evidentemente, primordial, como veremos a seguir. É preciso que os professores tenham intimidade com a tecnologia antes de utilizá-la e que seu uso seja realizado em situações nas quais faça sentido. A tecnologia não deve ser usada de maneira eventual ou estanque, mas de forma integrada, orgânica, com todas as atividades da sala de aula.

Tecnologia deve permear a vida de professores e alunos naturalmente

A ideia de um “centro tecnológico” na escola podia fazer muito sentido há duas décadas, quando o mundo começava a navegar pelas ondas da “rede mundial de computadores”, e as pessoas tratavam os PCs como um dispositivo a ser acessado apenas em momentos específicos do dia. Com raras exceções, a maioria hoje — e aí podemos incluir crianças e adolescentes — está quase que permanentemente conectado. Ninguém mais sofre por horas, dias, meses atrás de uma informação ou dado que tenha sido esquecido. Basta uma busca no Google ou uma consulta à Wikipedia e a maior parte das dúvidas é sanada na hora. Como lidar com essa instantaneidade é ainda outro desafio.  

Escola deve ensinar como e onde buscar informações e conhecimento

Ao contrário do que muitos pregam e acreditam, o acesso e o uso cada vez mais intenso das tecnologias não torna o professor desnecessário. O que ocorre na realidade é justamente o contrário. Isso porque, assim como não é suficiente ter acesso aos equipamentos, não basta apenas saber como digitar uma pesquisa no Google ou em qualquer ferramenta de busca online. Nessa nova realidade, além de transmitirem os conhecimentos de suas disciplinas, os professores entram como mediadores e facilitadores do uso dessas tecnologias.

Os professores funcionam como guias que ajudam a separar o que vale e o que não vale buscar, o que vale e o que não vale levar em consideração. É também uma oportunidade riquíssima para aprendizados sobre ética, uma vez que o acesso fácil simplifica também a realização de cópias, plágios. Os princípios seguem os mesmos de sempre, o que muda é a maneira como eles serão aplicados.

Vantagens do uso da Internet pelos alunos são inegáveis

Como estamos vendo, a adoção da tecnologia no ensino não foi nem está sendo fácil, mas passa pela transformação dos inimigos em aliados. Pesquisas em educação mostram que os nativos digitais são multitarefas, isto é, conseguem se concentrar nos estudos ouvindo música com fone de ouvido e mesmo conectados em programas de mensagens instantâneas ou em redes sociais. Professores que compreendem e se adaptam a essa nova realidade conseguem tirar o melhor da Internet. Ele sabe que, com ela, os estudantes podem:

  • Fazer pesquisas de temas diversos, promovendo uma maior autossuficiência no aprendizado
  • Trocar experiências e informações com os colegas e os professores mesmo fora do ambiente escolar, participando de grupos de discussão, fóruns e mesmo grupos da turma em mídias sociais
  • Encontrar documentos, fotos, imagens e notícias para serem usados em trabalhos escolares
  • Consultar enciclopédias online e outras obras de referência como forma de complementar ou mesmo confirmar o que foi aprendido sobre o conteúdo estudado em sala de aula
  • Entrar em contato direto com especialistas sobre o assunto em estudo através de e-mail, programas de mensagens ou pelas redes sociais
  • Ter acesso ilimitado a textos e conhecimentos

Pais e escola cada vez mais próximas e interativos

Além de colaborarem com o aprendizado da geração digital, aumentando o engajamento dos alunos nos conteúdos, as ferramentas tecnológicas são cada vez mais usadas pelas escolas também para medir e manter um controle do desempenho dos estudantes e melhorar a interação com os pais.

No lugar de agendas, cadernetas, circulares e boletins impressos em papel, a comunicação entre escola e família pode se dar – de maneira muito mais eficaz e interativa – com o uso das tecnologias de informação. Já existem no mercado softwares e aplicativos que auxiliam os professores na organização e no compartilhamento de notas com os próprios alunos e os pais.

Agora que você já sabe o valor inegável da tecnologia para o aprendizado do seu filho, veja nosso post sobre a melhor maneira de lidar com os limites do seu uso no post O que fazer quando o uso do celular na escola vira um problema?.

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