Como lidar com a falta de disciplina dos filhos mais velhos?

Como lidar com a falta de disciplina dos filhos mais velhos?

Respostas monossilábicas, cara fechada, mentiras, desobediência. Quantas vezes você já se perguntou “onde foi parar a criança adorável que eu costumava ter em casa?”. A falta de disciplina é, definitivamente, uma questão recorrente em qualquer família.

As crianças crescem e, com isso, as risadas frouxas e o convívio leve cedem lugar a adolescentes taciturnos ou mal-humorados em um ambiente em que predominam a incerteza e a falta de comunicação. Manifestando-se de diversas formas, a falta de disciplina dos filhos é um dos grandes desafios que os pais têm em casa.

Entende-se como indisciplina a insubordinação às regras estabelecidas, a negação às normas e o mau comportamento que prejudica o convívio social. A relutância dos jovens em aceitar ou seguir certos princípios parece não ter solução. Isso acaba levando os pais, muitas vezes, à exaustão e ao esgotamento emocional.

Se não encarada com seriedade, ela pode gerar conflitos que, possivelmente, deixarão cicatrizes profundas nas relações familiares e escolares. Mas como, então, reconhecer os problemas, resolver a incompatibilidade e resgatar a harmonia dos laços antigos? Para responder a essas questões, preparamos este artigo para você. Boa leitura!

Adolescência rebelde — onde foi que eu errei?

Essa talvez seja a pergunta que passa pela cabeça dos pais com mais frequência ao se depararem com a falta de disciplina dos filhos. Entretanto, é preciso ter consciência das fases de crescimento e de que a transgressão é um comportamento natural dos jovens.

Para os mais velhos, eles sempre parecerão impossíveis, mas talvez você se lembre de ter tido atitudes semelhantes na sua adolescência, não é mesmo? Certa dose de rebeldia é normal. Nessa fase, os adolescentes estão se posicionando no mundo como indivíduos.

No processo de descobrimento da própria identidade, os pais deixam de ser vistos como heróis e passam a ser confrontados pelos filhos, uma vez que todas as novas experiências que eles vivem trazem, também, novas perspectivas e modos de ver a vida.

Esse período é marcado por alterações hormonais que desencadeiam constantes mudanças corporais e psicológicas — que, por sua vez, podem culminar em insegurança.

E eles precisam lidar com essas transformações ao mesmo tempo em que lhe são exigidas as responsabilidades da vida adulta. Isso, é claro, sem deixar de lado as regras sociais, que nem sempre são compreendidas por eles.

Isso não significa que você deva deixar seu filho fazer o que quiser na hora em que bem entender. Entretanto, ao compreender o contexto de forma ampla, você pode começar a estabelecer os limites. É importante fazer uma aproximação com muito diálogo, para que os pais, antes heróis, não se tornem nem sejam vistos como vilões.

Medidas para lidar com a falta de disciplina dos filhos

1. Investigue a raiz do problema

Mesmo que a rebeldia seja inerente à adolescência, é primordial que você investigue as causas para tal comportamento quando a indisciplina se torna um grande dilema. Muito além do papel que os hormônios desempenham nessa fase, experiências e trocas que os jovens têm com o mundo e com a sociedade são fatores que moldam seu caráter.

Informe-se sobre a sua vida escolar e sobre a relação de seu filho com os amigos, colegas e professores.

Nessa época, eles procuram a aceitação dos que o cercam, mas nem sempre conseguem se encaixar nos padrões preestabelecidos pelo meio. A busca pelo seu eu pode ir de encontro às pressões que recebem, gerando conflitos internos significativos.

Reflita, também, se as suas exigências são uma projeção dos seus próprios desejos (ou seja, se você espera que seu filho seja alguém que você idealizou) e se os limites impostos são plausíveis, ou se são apenas uma resposta aos seus próprios medos.

2. Mantenha um diálogo aberto e honesto

A chave para compreender e ter domínio sobre a situação é a comunicação. Nessa fase de descobertas, além de eles precisarem de respostas, eles têm a necessidade de expor seus pensamentos, mas também de sentirem que as suas opiniões têm valor. Portanto, ouvir verdadeiramente o que seu filho está falando é fundamental.

Mesmo que não haja concordância em todos os pontos, a participação é que deve ser incentivada. Um diálogo aberto caracteriza-se pelo respeito mútuo entre os envolvidos. Cuide para que suas perguntas não se tornem meras cobranças — mostre interesse genuíno pela vida do seu filho.

Seja honesto e não se limite ao “porque sim” e ao “porque não”. Para que a obediência a determinadas normas lhes faça sentido, eles precisam entender as razões para tais respostas. Quando os dois lados conseguem falar, escutar, questionar e ponderar, tem-se uma relação saudável. Assim, o abismo que antes parecia intransponível é desfeito.

3. Saiba dizer não

Na adolescência, as regiões do cérebro encarregadas pelo medo são mais lentas e, por isso, eles tendem a pensar que podem tudo e que nada os afeta.

Eles testam todos os limites dos pais e querem saber, mesmo que de maneira inconsciente, até onde podem chegar. A falta de medo dá maior disposição para enfrentar os desafios, mas a inexperiência requer que os pais sejam firmes e mostrem que atitudes e escolhas têm consequências — e que eles são responsáveis por elas.

A alta permissividade pode ser entendida como falta de zelo. Portanto, transmita seus valores morais e saliente que a disciplina guia os comportamentos, mas não exclui a possibilidade de eles exercerem sua criatividade e sua personalidade.

4. Reforce comportamentos adequados

Segundo Paulo Freire, “[…] ninguém amadurece de repente, aos vinte e cinco anos. A gente vai amadurecendo todo dia, ou não. A autonomia, enquanto amadurecimento do ser para si, é processo, é vir a ser.”

Nesse decurso, não são somente os erros que devem ser apontados! O reconhecimento das qualidades do jovem e das suas atitudes acertadas também é imprescindível.

Essa prática aumenta a satisfação pessoal e a segurança do seu filho, além de incentivá-lo a continuar melhorando. Se só apontamos suas falhas, não podemos esperar outra atitude além da reclusão ou da agressividade, não é mesmo?

5. Não seja autoritário e abusivo

Não confunda autoridade com autoritarismo. Não é necessário ser autoritário para ser respeitado. Mesmo inexperiente, seu filho tem ideias e experiências próprias, e deve ser considerado por isso. A relação deve ser de confiança, e não embasada no medo — que culmina em afastamento.

Perceba que as perspectivas mudam e que os objetivos de vida do seu filho podem não ser os mesmos que você tinha na idade dele. Mesmo assim, os bons valores permanecem. Lembre-se de que você é alguém em quem seus filhos se espelham, portanto, seja o exemplo e aja de acordo.

A disciplina por si só deve ser vista como um modelo educativo. Cabe ressaltar que, juntamente à força de vontade, ela é uma habilidade que pode e deve ser desenvolvida ainda na infância. Explique para o seu filho que ser disciplinado é a base para a construção do conhecimento e para a integração social.

É importante que ele perceba que as escolhas feitas hoje terão significativas implicações no adulto que ele se tornará. Dar valor aos seus questionamentos faz parte do processo de formação de cidadãos conscientes, críticos e autônomos, e não unicamente passivos. Entretanto, eles devem entender que liberdade implica responsabilidade.

Nosso artigo sobre como lidar com a falta de disciplina dos filhos foi esclarecedor para você? Esperamos que sim! Aproveite e leia também nosso e-book sobre a educação além da escola!

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