omo funciona a educação infantil para a geração z

Como funciona a educação infantil para a geração Z?

Os pais do mundo moderno têm vivenciado um grande choque ao se darem conta de que seus filhos, muitas vezes tão novinhos que ainda nem sequer são capazes de ler ou escrever, já navegam tranquilamente pela internet em dispositivos como smartphones ou tablets. E não demora nada para concluírem, especialmente fazendo uma comparação a si mesmos quando pequenos, que os mais novos aprendem com extrema rapidez e facilidade a usar tais equipamentos eletrônicos.

Esse fenômeno é tão evidente que inclusive já foi identificado por psicólogos e outros estudiosos do comportamento humano, tanto que vem sendo objeto de estudo há um certo tempo. A verdade é que a geração nascida a partir da segunda metade dos anos 1990 chegou ao mundo inserida em um contexto tecnológico completamente diferente. Por isso, sua adaptação natural os tornou incrivelmente predispostos às novas tecnologias. faz sentido, não concorda?

É a famosa geração Z, como os cientistas a batizaram. Mas o que afinal é essa geração? Quais são suas características? Existe um modelo específico de educação infantil para a geração Z? Pois no post de hoje vamos entender um pouco mais a respeito dessas crianças prodígio da tecnologia para que você saiba lidar melhor com a nova realidade dos seus filhos! Então acompanhe:

É tudo reflexo ou raciocínio?

Antes de detalharmos o comportamento da geração Z, vamos tentar examinar o funcionamento do cérebro humano no que diz respeito à tomada de decisões. Todos nós temos, em uma região cerebral denominada córtex pré-frontal, 3 partes com diferentes funções. São elas:

Emoção

A primeira é ligada às emoções e coordena as atividades que exigem capacidade de decisão, reflexo condicionado e automatismo. Essa região entra em ação quando precisamos desempenhar diversas tarefas ao mesmo tempo. É ela que, por assim dizer, faz a conexão entre a mente e o polegar quando estamos digitando em um aplicativo de mensagens instantâneas. Resumindo: tudo aquilo que é coordenado por essa parte do cérebro tem a ver com respostas rápidas a estímulos.

Lógica

A segunda parte exerce um papel oposto à anterior: está ligada ao raciocínio lógico, algo mais lento e elaborado, porém mais racional, fruto de uma comparação de valores que leva a escolher uma opção dentre várias. Essa região tem basicamente a função de resistir. Assim, toda vez que queremos tomar alguma decisão por puro impulso, ela se interpõe e freia o processo, demandando mais tempo, ponderação e calma.

Decisão

Por fim, há uma terceira região responsável por decidir entre as duas anteriores. Afinal, há tarefas que são melhor executadas de forma rápida e automática, enquanto outras exigem comparações, raciocínio lógico e demandam bem mais tempo.

Quais as características da geração Z?

Como já dissemos, a geração Z é composta por crianças que nasceram em um novo contexto tecnológico, muito mais desenvolvido. Tendo sido submetidas a essa realidade desde muito pequenas, obviamente acabaram desenvolvendo uma adaptabilidade muito grande. O que acontece com os filhos dessa geração é que eles usam muito mais a primeira das 3 regiões do cérebro.

Isso faz com que essas crianças tenham, como efeito colateral da sua incrível adaptabilidade, uma forte tendência a apresentarem respostas automáticas para questões diversas, tomando decisões baseadas em impulsividade. Querem resolver rapidamente inclusive problemas que seriam muito melhor solucionados de forma lógica e ponderada. Não à toa que a ansiedade e a hiperatividade ocorram com frequência entre as crianças da geração Z. É a região cerebral mais atuante exigindo soluções rápidas para os problemas.

E onde entra a educação infantil?

O que acontece é que o funcionamento saudável do cérebro humano leva em conta a existência de um equilíbrio entre as duas primeiras regiões, equilíbrio esse proporcionado por um mecanismo de decisão elaborado na terceira região. O detalhe, porém, é que a geração Z não tem muito controle sobre esse processo. Corrigir esse desequilíbrio é, portanto, o grande desafio dos educadores nos dias de hoje.

E a maior dificuldade se dá porque a área menos privilegiada do cérebro dessas crianças é também a responsável por outros processos, vitais para uma vida plena em sociedade. É ela que evita que tomemos decisões descabidas, seja no plano individual ou no âmbito coletivo. É ela também que nos permite frear a impulsividade em uma discussão, abandonando nosso ponto de vista nem que seja por um momento para considerar o do outro.

Mas como educar adequadamente essa geração se grande parte dos professores pertence a uma geração anterior, bem diferente? Há um caminho razoável a se seguir: já que essas crianças estão mentalmente treinadas para lidar com a tecnologia, aí está a grande ferramenta para seu aprendizado. Ao contrário do que a princípio se pode imaginar, trabalhar intensamente a tecnologia como ferramenta didática em sala de aula pode trazer inúmeras vantagens.

Para isso, é preciso não só adaptar a infraestrutura das escolas, mas providenciar a preparação dos professores para que conduzam um processo educativo focado nessas ferramentas. O mais importante é não cometer o erro de criar oposição entre a tecnologia e o aprendizado, como costuma ser feito nas instituições de ensino mais tradicionais. Nesse contexto, o papel do educador é ajudar as crianças a construírem a chamada resistência cognitiva, processo de refrear a impulsividade em benefício de uma decisão mais ponderada. E, na prática, essa mudança é lenta, pois é como se o cérebro estivesse resistindo a si mesmo.

Ficou um pouco confuso? Mas veja como nem é tão complicado: a primeira região quer resolver o problema da forma mais rápida possível. Mas, em muitas situações, a forma mais rápida não é a melhor. Aí entra a segunda região, debatendo com a primeira a fim de evitar uma tomada de decisão descabida. O cérebro gera esse conflito entre as regiões e, em muitos casos, é necessário que a parte racional saia vitoriosa, para o próprio bem da criança.

Fica então a dica para os pais: é fundamental, ao escolher uma escola, assegurar-se de que ela é adaptada para acolher a geração Z. Afinal, o papel das instituições de ensino nesse choque de gerações é importantíssimo. Como explicamos no decorrer deste post, ela deve empregar cotidianamente as ferramentas tecnológicas, o que tem mais apelo entre crianças e adolescentes desse tempo. O professor, por sua vez, deve estar consciente do seu papel, aplicando diariamente as ferramentas tecnológicas nas aulas e ajudando os alunos a frearem a tendência natural de resolver as questões pelo caminho mais rápido.

Entendido o funcionamento básico dessa nova realidade, comente aqui e nos conte se ainda ficou com alguma dúvida! Conseguiu identificar o comportamento dos seus filhos pela nossa descrição? Participe e compartilhe suas impressões e experiências!

 

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